sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A ROMÂNTICA NÁPOLES (ITÁLIA)


A sua História que remonta à colonização grega desde o séc. VIII ao séc. V a.c., esta área foi uma importante cidade-estado. 

No ano 470 a.c., Neapolis (Nova Cidade) foi fundada, por volta, do ano 326 a.c. é absorvida ao Império Romano

Decorria o ano 79 d.c., no mês de Agosto, tudo se modificou para sempre quando o Monte Vesúvio, que até à data estava adormecido, de surpresa teve a sua erupção. Em poucas horas várias cidades inteiras à sua volta, simplesmente, desapareceram. 

Com a queda do Império Romano no séc. V d.c., esta área passou a ser dominada por diversas tribos, particularmente, pelos Godos, mas no ano 553 d.c., o imperador bizantino Justiniano conquistou esta zona.

Em 1140, o rei da Normandia Rogério II tem a sua entrada triunfal em Nápoles, rapidamente os normandos ganharam possessões no sul de Itália e Sicília, perdendo aí sua importância para Palermo. Em meados do séc. XIII, a dinastia francesa de Anjou, tomaram o reino da Sicília e Nápoles voltou a readquirir o seu estatuto para a satisfação dos seus residentes. 

Muitos novos edifícios foram erigidos, incluindo-se em 1279 o Castelo Novo. A revolta dos sicilianos por causa da retirada da capital para o continente não se fez esperar decorria o ano 1282, originando uma guerra que durou 20 anos. 

Finalmente, a Sicília perdeu e os reis da dinastia de Angevin puderam focalizar toda a atenção a Nápoles dando-lhe um período de grande prosperidade. 

No início de 1656, Nápoles como a maioria das cidades europeias, após seis meses de peste, três quartos da sua população foi dizimada. Em 1734 o rei Carlos III de Espanha faz a sua entrada triunfal em Nápoles. 

A 21 de Outubro de 1860 votou a sua integração na Itália durante a governação do rei Vittorio Emanuel II.


Na diversidade da sua história, cultura, visitá-la é uma necessidade. A essência do sul de Itália é deveras emocionante e condensá-lo numa só a cidade, Nápoles dá conta do serviço, capital da Campânia e terceira maior cidade de Itália é isso e muito mais.



O centro histórico da cidade de Nápoles é verdadeiramente único: uma abundância arquitetural com os seus monumentos, igrejas e históricos edifícios e Palácios criam um meio envolvente humano particular. Era minha convicção de que pela frente tinha uma tarefa megalómana o problema conseguir condensar tudo no tempo disponível para o efeito.

A cidade tem três itinerários diferentes: decumani maggiore, inferiori e superiori, seguindo as vias principais romanas, denominadas por decumani, cruzando a antiga cidade de Este/Oeste. Todos estes itinerários iniciam-se na P.zza Garibaldi que também é o local da estação ferroviária central de Nápoles.


Perante várias alternativas colocadas, tendo que começar por uma delas, para primeiro dia decidi-me pelo Corso Umberto I até à P.zza do Município local aonde se encontra o Castel Nuevo sendo conhecido por Machio Angioino uma fortaleza do séc. XIII no reinado de Carlos I de Anjou. Foi oficialmente designado por "Castelo Novopara o distinguir de outros existentes como o Castelo d´Ovo e o Castelo Capuano. 

Na P.zza do Plebiscito temos então o Palácio Real, cuja construção se iniciou em 1600 por ordem do vice-rei espanhol sofrendo entretanto algumas alterações durante os séculos XVIII e XIX, foi residência real até 1946, aquando do exílio da monarquia, e a Igreja de S. Francisco de Paulo, esta estrutura Neoclássica que imita o Panteão, templo romano pagão em Roma do II séc. d.c.. 

Na P.zza Trieste e Trento temos o famoso café Gambrinus, local de encontro de personalidades locais e estrangeiras, e seguimos para o Teatro de S. Carlos mandado edificar pelo rei Carlos e aberto oficialmente em Novembro de 1737, sendo uma das salas de ópera mais antigas do mundo. Do outro lado da via temos as Galerias Umberto I (séc. XIX), sobressaindo a sua cúpula em ferro e vidro, o chão de mármore e pelas fachadas trabalhadas – saindo-se pela Via Toledo

No fim de tarde sabe melhor um passeio pelo Lungomare, na beira-mar, a Fontana dell´ Immacolatella e o Castel dell´Ovo, o mais antigo da cidade (data do século IX), fazia parte do vasto estado do general romano Lucullus até finais do século V d.c., mais tarde, os monges fundaram aqui um mosteiro e finalmente os normandos construíram o primeiro castelo ao longo de várias dinastias foi sucessivamente alterado até aos nossos dias.

Galerias Umberto I
P.zza do Plebiscito e Igreja S. Francisco de Paulo
P.zza do Plebiscito - Palácio Real
Lungomare - Castel del Ovo
Na manhã do dia seguinte comecei pelo primeiro dos itinerários acima referidos, deste modo: Corso Umberto I até P.zza Nicola Amore, Via Duomo início do primeiro itinerário, antigo bairro greco-romano, conhecido por decumani magiore, pela Via TribunaliTeatro Greco- Romano (Via Cinco Santi) do séc. IV a.c. – séc. II d.c., torre Campanile della Pietrasanta, P.zza de S. Caetano com a visita à igreja S. Caetano local no antigo Templo Romano do Forum, ao Complexo Monumental de San Lorenzo Maggiore (séc. XIII) e à Napoli Sotterranea (Museu) com as famosas cisternas greco-romanas. Mais à frente a igreja del Purgatorio ad Arco (Polichinelo) com a sua particularidade a cripta e a pequena Capela Pontano e o crucifixo Croce di Luca

Na Via Duomo é visita obrigatória à Catedral Duomo consagrada ao padroeiro S. Gennaro. Construída entre os finais do século XIII e início do século XIV, ficou assente sobre ruínas de duas igrejas cristãs primitivas (na catedral ainda há um Batistério datado do ano 550 que é o mais antigo da Europa Ocidental). 

Todos os anos, no 1º domingo de Maio e no dia 19 de Setembro, milhares de fiéis rumam à Duomo para presenciar o milagre, do sangue de S. Gennaro que passa, inexplicavelmente, do estado sólido ao líquido

Para os napolitanos funciona como um oráculo: se o milagre não se realizar é porque estarão iminentes catástrofes.
 
Napoli Sotterrania - Teatro Romano (estruturas)

Campanile della Pietrasanta


Duomo - Batisterio  


Polichinelo
Napoli Sotterrania - Cisternas Romanas
No terceiro dia prossegui o percurso do dia anterior até Via Duomo, aí segui pela Via S. Biagio dei Librai dando início ao segundo itinerário, decumani inferiori, bairro conhecido por Spaccanapoli como sendo um dos centros da vida boémia da cidade. Ao fundo desta via estaremos na P.zza S. Domenico Maggiori com a homónima igreja de origem gótica. 

As grandes atrações deste bairro são o Mosteiro de S. Chiara de estilo gótico com o seu belo claustro e a igreja de Gesú Nuevo, datando do século XV, dum antigo Palácio fortificado com a sua famosa fachada de bicos em relevo. Mais abaixo daremos com a P.zza Bellini (fortificações greco-romanas século V a.c.) uma praça bem acolhedora cafés e bares sendo um bom exemplar de uma Insula dos tempos dos romanos, seguindo pela Via Port´Alba na porta com o mesmo nome estraremos na P.zza Dante, com estátua ao poeta Dante, anteriormente esta área era conhecida como Largo del Mercatello. 

A meio da Via Toledo fica o funicular que me levaria ao bairro conhecido por Vomero: o Castel Sant´Elmo e a Certosa di San Martino. O primeiro, construído no século XVI, o segundo antigo convento dos frades Cartuxos, atualmente é um Museu.

Certosa di San Martino e Castel Sant´Elmo
Gesú Nuevo - antigo Palácio
O último itinerário, decumani superiori, pela Via A. Poerio inicio-o na Porta de Cápua, Castelo Capuano, Via Carbonara, Via SS. Apostoli, Strada Anticaglia, Via della Sapienza, Museu Arqueológico Nacional na P.zza Cavour, bairro típico na zona é o da Sanitá, Palazzo dello Spagnolo na Via Vergini, Basílica Stª Maria da Sanitá com as San Gaudioso Catacombs sitio arqueológico, labirinto de túneis tendo sido construídos pelos romanos como cisternas. Viram-se transformadas em catacumbas no séc. V d.c., quando S. Gaudioso um bispo e um eremita do Norte de África foram aqui sepultados. 

Para encurtar caminho a San Gennaro Catacombs, à Basílica San Gennaro Extra Moenia, a Capodimonte e a Corso Amadeo di Savoia Duca d´ Aosta, fi-lo através de um elevador público que faz esta ligação. 

Na Basílica San Gennaro Extra Moenia, San Gennaro Catacombs, local aonde se encontram sepulturas do séc.II d.c., usadas pelos pagãos e cristãos. No séc. V d.c., o corpo de San Gennaro foi trazido para aqui. A partir desta zona existe um outro percurso recomendado e conhecido como milha sagrada, para além das catacumbas acima mencionadas também fazendo parte o Cemitério delle Fontanelle.


Napoli - Porta di Cápua
San Gennaro Catacombs - Basílica San Gennaro Extra Moneia
Imprescindível, é a visita a Pompeia que se concretizou na manhã do quinto dia. Assim, na estação ferroviária central de Napoli seguindo indicações para a ferrovia regional Circumvesuviana Linea Napoli/Sorrento, sendo a duração da viagem de 30 minutos a “Pompei Scavi-Villa dei Misteri”. Existem quatro estações chamadas “Pompei”, mas para descer na direta, tomei o comboio na direção Sorrento

A visita à cidade está dividida em três itinerários: de duas horas, de quatro horas e de seis horas, iniciando-se da Piazza Anfiteatro ou da Porta Marina.

Os locais imperdíveis a visitar são: os Teatros, a Casa de Menander, o Anfiteatro, as Termas Stabianas e do Forum, o Lupanare (bordel), a Casa dos Cúpidos, a Casa de Fauno, a Casa dos Vettii, a Villa dei Misteri e a Via dei Sepulcri.

Sobre as ruínas de Pompei, mais detalhadamente, me refiro em outra publicação.


Horrível foi para aquela população que sofreu e morreu, o resultado para prosperidade foi a preservação da antiga cultura romana, descoberta séculos mais tarde como surgidas através duma cápsula do tempo.

Outra localidade não menos importante a não merecer um olhar atento é Pozzuoli, “Puteoli” nos romanos, situada na costa oeste que poderia bem ser chamado por “Nápoles Imperial” por ser uma região com enorme popularidade pelas famílias imperiais romanas e pelas suas ruínas. Atualmente contrasta com a importância estratégica que foi há 2000 anos atrás. Como sendo um principal porto de entrada depois do Porto de Óstia pelo imperador Trajano no século II d.c.. 

Esta região é relativamente inexplorada nos tempos modernos, turisticamente, mas que esteve no topo da lista durante o século XIX.

Pozzuoli - Baía e Marginal
Parco Regionale Campi Flegrei - Solfatara
Assim, pela manhã do sexto dia, dirijo-me à estação ferroviária central de Napoli seguindo a indicação, Metropolitana Linea 2, com a duração da viagem a Pozzuoli, cerca de 25 minutos, em alternativa, seria o bus nº 152, bem mais morosa, não menos interessante. 

Como locais de interesse a visitar em Pozzuoli, teremos o Santuário de S. Gennaro sítio no qual o patrono da cidade de Nápoles foi mártir às mãos do imperador romano Diocleciano, a área de Solfatara zona geotermal e vulcânica e o Anfiteatro de Flávio considerado o terceiro mais largo do mundo depois do de Roma e Cápua com capacidade de 40.000 lugares sentados, equipado nos seus subterrâneos com aparelhos para possibilitar “caçadas” a animais selvagens que tiveram lugar aqui. 

Estão tão bem preservados, sobrevivido até aos nossos dias, pelo fato de terem estado soterradas.

Anfiteatro Flavius
Subterrâneos e Corredores (jaulas dos animais selvagens)

Na região da Campânia

PAESTUM

A sul de Nápoles fica Paestum a cerca de 120 km, a deslocação será em comboio Trenitália, na estação ferroviária central de Napoli pela manhã muito cedo e regresso a meio da tarde. Um cuidado a ter é de que não existe muitos horários disponíveis. Como locais a visitar de interesse teremos a Basílica sendo o templo mais antigo datado ao ano 530 a.c., dedicado a duas divindades a Hera e Zeus, o Anfiteatro Romano estrutura datado do séc I a.c. com capacidade de 2.000 lugares, o Templo deCeres” dedicado a Athena e o Templo de Neptuno o último do terceiro templo a ser construído 450 a.c., dedicado ao deus Neptuno (Poseidon) mas há quem o relacione com Apollo ou Zeus.


CAPRI

A ilha de Capri fica no golfo de Nápoles, no sul da Itália, a poucas milhas do mar de Sorrento e da Costa Amalfitana.

Os principais pontos de embarque para Capri estão em Nápoles e Sorrento. Em Nápoles existem dois:

·        Molo Beverello, de onde partem os aliscafi (lanchas de alta velocidade)
·        Calata di Massa, de onde partemas balsas e barcos rápidos.

Existem também ligações à ilha de Ischia e Positano.

Em 29 a.c., o primeiro imperador romano, Augusto, veio aqui construir uma villae. O imperador Tibério seguiu-se-lhe também com a construção da sua villae, a partir da qual, durante a sua última década de vida, governou Roma. Capri passou pelos mesmos destinos que a história de Nápoles – andou de mão em mão. A partir do século XVIII a receita para o seu sucesso global foi simples: calor, águas turquesas e natureza. Vieram escritores, pintores, poetas e mais tarde atores de cinema. Como atrações desta ilha são os monumentos: como a villae Jovis – casa do imperador Tibério que fica na montanha, a Certosa di San Giacomo – um convento de 1371, a Gruta Azul escavada pelo mar numa rocha.

Existem quatro itinerários:

1º Itinerário (Capri Jardim de Augusto Mosteiro da Certosa Marina Pequena)
2º Itinerário (Capri Monte Tibério Villa Jovis)
3º Itinerário (Capri Arco Natural Gruta da Matromania Pizzolungo Tragara)
4º Itinerário (Anacrapi)


COSTA AMALFITANA

Nos séculos X e XIII, Amalfi fazia parte das repúblicas marítimas, uma série de cidades-estado de grande importância militar e comercial. As trocas comerciais com o Oriente deram-lhe riqueza. Destes contatos com outras paragens vê-se na diferença de estilos visíveis que é a Duomo di Sant´Andrea. Construída no século IX, reconstruída ao estilo românico revela traços árabes no campanário e na fachada. Uma outra coisa que ficou de tempos idos em que Amalfi era uma ponte entre a Europa e o Oriente foi a arte de fazer papel, processo apreendido com os árabes e chineses. Originalmente o papel era feito a partir do algodão. Do porto de Amalfi saem barcos frequentes para outras estâncias balneares e para as ilhas de Capri e Ischia. Nas redondezas de Amalfi existem muitas e pequenas praias sendo a mais procurada a da Marina di Conca!


Caserta


Capua


Benevento


Informações Úteis

Moeda: Euro
Língua: Italiana
Aeroporto Internacional: Capodichino a 7 km do centro da cidade a ligação é realizada  por autocarro Alibus com quatro paragens:

1.     Aeroporto
2.     P.zza Garibaldi
3.     Via Marina (porta de Massa)
4.     P.zza Municipio (Mollo Beverello)

Alojamento escolhido: Best Western Plaza Hotel
Transportes Coletivos: Metropolitana linea 1; Metropolitana linea 2; Metropolitana  linea 6; Circumvesuviana linea Napoli/Sorrento; Cumana; Circumlegrea; Funicolare Chiaia; Funicolare Montesanto; Funicolare Mergellina; Funicolare Centrale
Gastronomia: “restaurantes” em que os preços são mais elevados e “tratorias” com preços substancialmente mais económicos, para além, de outras como “pizarias e hamburgarias” e “kebabs”.
Postos de Turismo: P.zza do Plebiscito, Estação Centrale di Napoli, P.zza Gesú Nuevo




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