sábado, 25 de janeiro de 2014

CYPRUS - A ILHA DE AFRODITE


Chipre obteve a sua independência do domínio colonial Britânico em 1960. A capital é atualmente Nicósia, o centro urbano está no momento dividido por uma força da ONU devido ao diferendo com a Turquia que ocupou toda a parte Norte da ilha desde Julho de 1974, ocupando 36,2% do seu território soberano. Ainda que a sua parte esteja sob ocupação estrangeira, a República de Chipre é intencionalmente reconhecida como o único Estado legítimo na ilha, sendo soberana sobre todo o território.

Chipre apesar das suas reduzidas dimensões, possui uma rica herança cultural que se reflete nos seus numerosos monumentos, castelos e fortificações dispersas por toda a ilha, lindíssimas baías com magníficas praias à mistura. Os locais mais relevantes desta ilha são o assentamento Neolítico de Choirokoitia, e a antiga cidade-estado Pafos declarada pela Unesco, Património Cultural da Humanidade.




Ficou previamente estabelecido que pelas manhãs seriam sempre realizadas todas as visitas culturais e que as tardes seriam dedicadas ao lazer, quer isto dizer, idas às praias e baías usufruir o muito Sol que esta ilha potencia e as lindíssimas águas azuis desta ilha do Mediterrâneo. As nossas deslocações seriam em transportes públicos quer fossem transportes urbanos, suburbanos ou através da rede de Expressos nos casos de ligações entre as principais cidades.

Saí de Lisboa, via Amesterdão e Pafos, para Larnaka cujo aeroporto internacional dista cerca de 10km ao centro histórico da cidade, à chegada tomo o táxi que me levará diretamente ao hotel devido à hora tardia a Larnaka.

No primeiro dia, após o pequeno-almoço iniciei a minha visita por esta antiga cidade começando  nas suas ruínas da antiga cidade – estado de Kition que evocam os seus dias de glória, aproximadamente, a 500 metros visito o Museu Arqueológico do Distrito, com ruinas arqueológicas que remontam ao séc. XIII a.c., por volta do ano 1200 a.c., foi reconstruída pelos Gregos Micénicos, e, finalmente, por um passeio descontraído pelo Passeio das Palmeiras, local aprazível com muita música, esplanadas com uma bela e magnífica praia, escolhido para primeiro almoço, à tarde o programa estava com destino certo...sol, praia e mar.

Arcebispo Makários  III
No dia seguinte, comecei a visita ao Forte e Museu Medieval, construído em 1625, tendo sido prisão nos primeiros anos do período britânico, à Igreja Agios Lazaros, São Lázaro, santo patrono desta cidade, sendo Kition a sua segunda terra natal depois de ter sido ressuscitado por Cristo e aqui viveu mais 30 anos, no séc. IX o imperador Leão VI erigiu esta igreja sobre o seu túmulo, por baixo do santuário. Igreja de arquitetura bizantina, restaurada no séc. XVII seu iconóstases é em talha barroca. Seguidamente, passei pelo Aqueduto de Kamares do século XVIII tendo sido utilizado até 1930. Nos arredores, o Lago de Sal, procurado por aves migratórias no Inverno, encontrando-se numa das suas margens o importante centro de peregrinação muçulmana Hala Sultan Tekesi, a 3km de Lanarka, construído em 1816 sobre o túmulo de Umm Haram, considerado parente do profeta Maomé que faleceu neste local em 649 durante a primeira invasão árabe. Esta mesquita é um importante centro de peregrinação dos muçulmanos imediatamente depois dos templos de Meca, Medina e Al Aqsha de Jerusalém.
Concluída a visita à cidade de Lanarka e seus arredores com a famosa baía e resorts, ao terceiro dia, pela manhã cedo, tomei o autocarro que me levaria capital Nicósia, encontra-se aproximadamente no centro da ilha. Começou por ser a capital da ilha no século XI d.c.. Os Francos converteram-na numa magnífica cidade com um Palácio Real e mais de cinquenta igrejas. Hoje, é uma mistura de civilizações com um verdadeiro passado histórico com uma animação duma cidade moderna. O centro histórico está cercado pelas Muralhas Venezianas do século XVI, inclui um vários Museus, Antigas Igrejas e edifícios Medievais que conservam a atmosfera do passado. Este antigo centro urbano está neste momento dividido em dois pela força. A nova Nicósia desenvolveu-se fora da cidade. Nos arredores, existem igrejas e mosteiros bizantinos bastante interessantes e assentamentos arqueológicos. Como locais de interesse destaco: o Museu de Chipre, a Kasteliotissa (Medieval Hall) enfrente da Porta de Pafos com elementos góticos fez parte do Palácio de Lusignan entre os séculos XIII-XIV, o Museu Bizantino e Galerias de Arte na fundação do Arcebispo Makários III, a Igreja Chrysaliniotissa considerada a mais antiga de Nicósia crê-se que a sua construção data de 1450 pela Rainha Helena Palaeologos, as Muralhas Venezianas que circundam a cidade antiga têm uma circunferência de 4,5 km e possuem onze Torres. Existiam somente três portas para entrar na cidade: a Norte, Sul e Este. Uma de estas portas, a Porta Juliana conhecida pela Porta de Famagusta, foi restaurada e agora é o Centro Cultural Municipal de Nicósia.
A ligação entre estas duas cidades é feita em transporte coletivo com capacidade de oferta de lugares disponíveis (19) e horários reduzidos, excepto às zonas turísticas nas quais estão instaladas as cadeias de hotéis.
  
Ao quarto dia, pela manhã muito cedo, agora em rede Expressos, fui para Pafos cidade incluída na lista oficial da UnescoPatrimónio Cultural da Humanidade. Ao pisar qualquer lugar desta cidade, pisava história que remonta a milénios de anos atrás aquando do culto à deusa Aphrodite, “O Rochedo dos GregosPetra Toy Romiou segundo a lenda emergiu nas águas perto deste lugar.
Pafos atualmente é um pequeno porto mas durante os tempos helénico e romano foi capital de Chipre. As suas encantadoras vilas inseridas numa paisagem luxuriante, e a sua costa marítima criam uma harmonia digna de se apreciar.

Como locais de interesse destaco: o Forte Medieval de Pafos, a Igreja Agia Solomoni, o Anfiteatro Helénico, a Igreja de Panagia Chrysopolitissa, a Basílica Paleocristã erigida no século XIII, os Banhos Turcos, a Estação Arqueológica de Kato Pafos com os seus famosos mosaicos: Casa de Teseus, Casa de Aion, Casa de Orfeus e Casa de Dionísios e a Estação Arqueológica dos Túmulos dos Reis
  
Anfiteatro Helénico
Estação Arqueológica Kato Pafos - Casa de Teseus 
Casa de Dionísio - Mosaicos
Casa de Dionísio - Mosaico
Estação Arqueológica Túmulo dos Reis
Estação Arqueológica Túmulo dos Reis
Nos arredores, destaco as deslocações a Maas (estação arqueológica museu), e Coral Bay local muito procurado turisticamente, com suas ruas repletas de lojas, restaurantes e animação nocturna, a sua fenomenal baía e fabulosa praia e finalmente assistir ao seu pôr-do-sol.

Coral Bay

Na manhã seguinte, no Expresso com destino a Nicósia, fui para Limassol, segunda maior cidade de Chipre com seu importante porto comercial e  de passageiros estratégico do País estendendo-se ao largo da costa sul, sendo o centro mais importante da indústria, do vinho e do turismo da ilha. Começámos a visita desta cidade por um Passeio na Marginal pela sua magnífica baía, passagem pelo Forte Medieval onde está instalado o Museu Medieval, e finalmente, à antiga cidade-estado Amathous, podendo aí ainda, visitar a Acrópole e o lugar de Ágora vestígios arqueológicos da ocupação romana e paleocristã.

O Castelo de Kolossi, o Santuário de Apollon e o Kourion com regresso ao fim da tarde.  Relativamente ao transporte suburbano utilizado ao Kourion é necessário fazer a mesma ressalva daquela que fiz anteriormente aquando da visita a Nicósia e pelos mesmos motivos.

Castelo de Limassol e Museu


Kourion
Kourion - Fornalhas
Para os últimos dias nesta maravilhosa ilha guardei a deslocação à Península de Akamas e a Polis, praticamente em contato com a natureza. Com a sua famosa gruta e pequena piscina natural, onde de novo a lenda nos conta que era o sítio onde a deusa Aphrodite tomava o seu banho, atualmente conhecido por “Banhos da deusa Aphrodite”.



"Banhos da deusa Afrodite" - Guta e Piscina Natural 
Novamente, fica a chamada de atenção de que o autocarro que faz a ligação entre as duas cidades é pequeno, com poucos lugares disponíveis, horários reduzidos e o que faz depois a ligação ao local dos banhos de Aphrodite é feito numa carrinha de 9 lugares.
   

Informações úteis:

Moeda: Euro. 
Línguas: Grega e Inglês.
Aeroportos Internacionais: Lanarka e Pafos.
Circulação: pela esquerda.
Alojamentos: Roman Boutique Hotel (Pafos),Livadhiotis(Lanarka)
Gastronomia: a não perder, a grega.
Postos Turismo: recolher sempre informações necessárias às visitas, horários de transportes públicos e locais a visitar.









POMPEIA - HISTÓRIA QUE COMEÇA COM UMA ERUPÇÃO




Horrível foi para aquela população que sofreu e morreu, o resultado para prosperidade foi a preservação da antiga cultura romana, descoberta séculos mais tarde como surgidas através duma cápsula do tempo.

Imprescindível, é a visita a Pompeia que se concretizou na manhã do quinto dia, apanhando o comboio na estação ferroviária central de Napoli seguindo indicações para a ferrovia regional Circumvesuviana Linea Napoli/Sorrento, com a duração da viagem de 30 minutos , se chega a “Pompei Scavi-Villa dei Misteri”,algum cuidado é necessário, pois existem quatro estações designadas por “Pompei”, para descer na mais central, apanhei o comboio na direção Sorrento


A visita à cidade está dividida em três itinerários: de duas horas, de quatro horas e de seis horas, iniciando-se da Piazza Anfiteatro ou da Porta MarinaA parte mais agradável é passear pelas ruas da cidade. 

Não interessa muito perder-se muito tempo no Forum, que se chega relativamente cedo após se passar pela Porta Marítima

Um outro percurso que recomendo é pela Via dell´Abbondanza – observando-se as fachadas, os bares, as lojas e os diferentes aspetos da rua.

É interessante observar as medidas impostas para evitar o tráfego de carroças e animais a determinadas zonas da cidade, os furos na parte lateral do pavimento para atar os animais, os dispositivos para bloqueio o fluxo de águas. 

Como locais a não perder de ver são: os Teatros, Anfiteatro e a palaestra, o Forum, os Banhos Estabianas, o melhor local para se ficar com uma ideia do que eram os banhos romanos, os Banhos do Forum, o Templo de Ísis o mais bem preservado do local, o Lupanare (bordel), a Casa do Poeta Trágico, a Casa dos Cúpidos Dourados, a Casa de Fauno, a Casa de Menandro, a Casa dos Vettii, e a Villa dei Misteri.  



Legenda da Planta de Pompeia

CASAS
TEMPLOS
19
VilladeiMisteri                                           
1
Templo de Apolo
20
InsulaArrianaPolliana                             
3
Templo de Júpiter, Juno e Minerva
21
CasadePansa                                            
9
Templo de Minerva e Hércules
23
CasadoFauno                                          
17
Templo de Ísis
22
Casa dei Vetti
24
Casa dos Capitéis Figurados
BANHOS
27
7
Banhos do Fórum
28
Casa de Vénus Marinha
8
Banhos Estabianos
29
Praedia (propriedade) Júlia Félix
30
Casa de Vénus em Biquíni
OUTROS EDIFÍCIOS PÚBLICOS
33
Casa de Trébio Valente
6
Basílica, Curia, Governo da cidade
36
Casa do Menandro
2
Forum       
35
Casa dos Cúpidos Dourados
4
Macellum
34
Casa Príncipe de Nápoles
5
Eumachia
31
Casa das Vestais
11
Teatro Coberto
32
Casa do Cirurgião
10
Teatro Grande
37
Casa de Sallustio
12
Palaestra (alojamentos dos gladiadores)
14
Palaestra (grande ginásio)
NECRÓPOLES
13
Anfiteatro
15
Porta Nuceria
18
Castellum
16
Porta Herculano (Via dei Sepulcri)
ESTALAGENS E ESPAÇOS COMERCIAIS
25
Albergaria do Sítio
26
Fullonica Stephani (lavandarias)
 




Vida interrompida

Nas primeiras horas do dia 25 de Agosto de 79, a chuva de pedra-pomes que caía sobre Pompeia estava a abrandar. Parecia uma boa altura para sair da cidade e procurar segurança, outros já tinham-no tentado esta saída algumas horas antes.

Para começar, a população de Pompeia tinha visto os sinais de aviso, horas antes senão mesmo dias antes. As únicas testemunhas oculares da erupção que nós temos são algumas cartas escritas cinquenta anos depois do acontecimento, para o historiador Tácito pelo seu amigo Plínio, que tinha estado na baía de Nápoles quando se dera o desastre. As cartas demonstram que a fuga teria ainda sido possível mesmo depois de a nuvem ter surgido da cratera do Vesúvio. Sabe-se que o tio de Plínio, a mais famosa vítima da erupção, só morreu porque era asmático e porque decidiu que precisava de ver mais de perto o que se estava a passar, no interesse da ciência. E se, houve uma série de abalos e pequenos tremores de terra nos dias ou meses que precederam o desastre fatal, estes deveriam ter incitado a população a abandonar a área, porque não foi só Pompeia que foi ameaçada e engolida, mas uma vasta área a sul do Vesúvio, incluindo as cidades de Herculano e Estábias.

Muitas pessoas partiram, confirmados pelo número de corpos encontrados na cidade e temos que ter presente para aqueles que ainda estão sepultados na parte da cidade ainda não escavada (cerca de ¼ da antiga Pompeia está ainda por explorar). Mesmo assim, parece pouco provável que mais de 2000 dos habitantes tenham perdido a vida no desastre. Qualquer que fosse a população total – e as estimativas variam entre 6.400 e 30.000, esta era uma pequena, ou muito pequena, proporção.

Um desastre natural anterior, dezassete anos antes da erupção do Vesúvio, em 62, a cidade tinha ficado grandemente danificada por um terramoto, nomeadamente, duas áreas: o Forum, os Templos, os Banhos, já para não falar das habitações particulares e a porta norte da cidade voltada para o Vesúvio. Este desastre suscita ainda algumas questões na história de Pompeia. Qual seu efeito na vida quotidiana da cidade? Quanto tempo levou a cidade a recuperar, ou se recuperou alguma vez? Tem havido uma grande quantidade de teorias. Uma delas é que Pompeia sofreu uma revolução social depois de terramoto, ou seja, aristocracia decidiu deixar a cidade definitivamente e daí permitiu a ascensão de ex-escravos e outros novos -ricos. Outros pretendem que em 79 Pompeia não tinha ainda terminado o longo processo de reconstrução. Atualmente são mais os que realçam a série de abalos que deve ter havido nos dias, e talvez meses, que precederam a erupção. Isto é o que se pode esperar antes de uma grande explosão vulcânica, garantem os vulcanólogos, e é, de qualquer forma o que descreve Plínio: “durante muitos dias antes” e “ houve muitos tremores de terra”.

Pompeia não era uma cidade a viver uma vida perfeitamente normal, que depois ficou completamente “paralisada no tempo”, como afirmam tantos os livros como os folhetos turísticos. É um lugar muito mais estimulante e intrigante, o fato é que sabemos simultaneamente muito mais e muito menos acerca de Pompeia do que aquilo que pensamos. Há uma piada arqueológica que diz que Pompeia morreu duas vezes: primeiro a morte súbita causada pela erupção; depois a morte lenta que a cidade sofreu desde que começou a ser desenterrada em meados do século XVIII.

A simples visita à cidade põe em evidência o que a segunda morte significa, a cidade está a desintegrar-se, as ervas daninhas cobrindo grandes áreas que estão vedadas aos visitantes, pinturas outrora com coloridas quase que não se vêem atualmente é um processo gradual de delapidação, agravado por tremores de terra e pelo turismo atual de massas. Este local turístico ainda tenta preservar o mito da antiga cidade “paralisada no tempo”, uma cidade onde podemos andar como se fosse ontem. 

Navegamos por Pompeia usando uma série de nomes de ruas modernas: entre eles, Via dell´Abbondanza (o caminho principal leste-oeste que leva diretamente ao Fórum), Via Estabiana (cruza a Abbondanza), Via della Fortuna, Via delle Terme e Vicolo Storto (beco Torto). Não havia certamente sistema de sinalização nas ruas nem sistema de usar nome da rua e o número de porta para indicar o endereço. Em vez disso, as pessoas usavam pontos de referência. Deu-se igualmente nomes modernos às portas da cidade, de acordo com o lugar ou direção para onde estão viradas: Porta Nola, Porta de Herculano, Porta do Vesúvio, Porta Marítima. Aquilo que chamamos Porta Herculano, por exemplo, para os romanos era a Porta Saliniensis ou Porta Salis, isto é “Porta do Sal”. A nossa Porta Marítima pode muito bem ter-se chamado Porta do Forum. O arqueólogo que aperfeiçoou a técnica de fazer os moldes dos cadáveres, Giuseppe Fiorelli, dividiu pompeia em nove áreas separadas ou regiones; depois numerou cada bloco de casas no interior dessas áreas, e prosseguiu assim atribuindo a cada porta que dá para a rua o seu próprio número individual. Assim, por outras palavras, de acordo com esta estandardizada estenografia arqueológica, “VI.xv.I” significa a primeira porta do décimo quinto bloco da região seis, contudo para a maioria das pessoas é mais conhecida como a Casa dos Vécio. Para lá desta simples numeração moderna, a maior parte das casas maiores pelo menos, assim como as estalagens e os bares, ganharam títulos mais evocativos.


As ruas e passeios

Qualquer pessoa que visite Pompeia se lembra das ruas: a sua superfície brilhante constituída por grandes blocos de pedra vulcânica preta; os sulcos formados por anos de tráfego de carros; os passeios altos, por vezes um metro acima do nível da rua; e as alpondras cuidadosamente colocadas para permitir aos pedestres atravessarem a estrada sem terem de dar um incómodo salto para baixo, embora suficientemente afastadas a permitirem que os antigos transportes de rodas passassem entre os espaços.

Por que eram tão altos os passeios? A primeira é a sujidade, contudo não pode ser a única resposta, pois assim fosse os cidadãos da vizinha Herculano (onde não encontramos alpondras ou passeios altos) eram mais limpos e asseados do que os seus vizinhos de Pompeia. A resposta primordial está na água.

Quando se enchem de água, as ruas transformam-se em torrentes. A cidade está construída em terreno com declives, em certos sítios bastante inclinado. As ruas tinham a função de recolher a água da chuva e de a canalizar para fora da cidade entre muros, ou em direcção a escoadouros internos onde os havia, principalmente em redor do fórum. As ruas faziam as vezes de canais de água, assim como depósitos de lixo. Uma coisa que podemos dizer em favor deste sistema é que os ocasionais aguaceiros, e a torrente de água por eles provocada, devem ter ajudado a limpar toda a porcaria em decomposição.

As ruas surgem em muitas formas e tamanhos. Algumas das ruas secundárias nem sequer são pavimentadas, são apenas trilhos sujos e cheios de lama ou de pó. Algumas delas, particularmente as estradas principais que atravessavam a cidade, eram relativamente largas, ladeadas por lojas, bares e portas de entrada de grandes e pequenas casas particulares, e por outro as estradas secundárias, estreitas, pouco trilhadas não deixariam passar um carro.


Outra característica das ruas são as torres de água e especialmente, as fontes de rua – mais de quarenta sobreviveram – que se encontram por toda a cidade. Tanto as torres como as fontes eram elementos de um complexo sistema, que fornecia água canalizada através da cidade, proveniente de um “castelo de água” ou castellum aquae (alimentado por um aqueduto que a trazia das montanhas vizinhas) no interior dos muros da cidade, próximo da Porta do Vesúvio. As torres de água, cerca de uma dúzia com mais de seis metros de altura e sustentando um tanque no topo, eram subestações do sistema, distribuindo água por meio de canos de chumbo que circulavam por baixo do chão até às fontes públicas e até às residências particulares mais próximas. As fontes de grande bica, com água a correr continuamente para um tanque como reservatório de alguma água; normalmente colocadas em confluências e cruzamentos.


As ruas de Pompeia podiam ser fechadas aos veículos de rodas por dispositivos simples: grandes pilares de pedra colocados na estrada, fontes ou outros obstáculos erguidos em locais de passagem, degraus ou outras mudanças de nível que os carros não conseguiam transpor. Todos estes processos foram usados para garantir que, pelo menos, o Fórum de Pompeia fosse zona pedonal. Cada entrada para o Fórum estava bloqueado ao tráfego com rodas: na Via dell´Abbondanza por três pilares e uma berma alta.


Casa e Lar

A Casa de Fauno: esta é uma casa grande, a maior da cidade situa-se na Via della Fortuna, é conhecida não só pela sua estátua de bronze do “fauno” a dançar mas também pela sua sequência de mosaicos que decoram o chão, sendo o mais importante de todos é o chamado “Mosaico de Alexandre”. Supõe-se que tenha sido construída por Públio Silas, sobrinho do conquistador da cidade samnítica. A fachada que dá para a rua é ocupada por uma série de lojas. Entra-se através de uma entrada estreita que conduz a um de dois átrios, por detrás situam-se dois jardins de peristilo. Quando passamos o seu portal – passando por cima de outro mosaico, desta vez exibindo a palavra latina HAVE, que significa “saudações”.




A Casa do Poeta Trágico: esta casa situa-se no canto noroeste de Pompeia, Via delle Terme, entre a Porta de Herculano e o Fórum – precisamente em frente de um dos principais complexos de banhos públicos, e bastante perto, apenas à distância de dois pequenos blocos, da grande Casa de Fauno. Quando estava a ser escavada, recebeu este nome por causa de um dos frescos – que se pensa representar um poeta trágico a recitar a sua obra diante de um grupo de ouvintes – e foi construída na sua forma atual por volta do final do século I a.c.. A fachada da casa dá para rua principal é dominada por duas lojas, bem posicionadas para atrair clientes dos banhos públicos situados em frente, não se sabe o que vendiam. Os visitantes entravam nesta casa entre estas duas lojas passando por um estreito corredor, com uma imagem memorável de um cão em mosaico, com dentes à mostra e pronto para o ataque não estivesse ele preso por uma corrente estando acompanhado com as palavras CAVE CANEM (“cuidado com o cão”), que levava ao átrio com o seu cubículo do porteiro; por trás do tablinium com o mosaico dos atores a prepararem-se ficava o jardim; abrindo-se para ele havia o triclinium, a cozinha e uma latrina. A parede do fundo do peristilium tinha um pequeno sacrário.


A Casa dei Vetti: esta casa situa-se no Vicolo di Mercurio, era a habitação não muito grande de dois ricos comerciantes: Aulo Vettio Restituto e Aulio Vettio Conviva, que gastaram enormes somas de dinheiro seja para a decorarem seja para mostrarem a sua riqueza. A casa estende-se pelos dois lados contíguos ao peristilium. No vestíbulo desta casa está uma das mais fotografadas e reproduzidas imagens em Pompeia: a pintura do deus Príapo, protector divino da fertilidade, a pesar o seu enorme falo com um saco de dinheiro. Olhando em frente a partir da porta de entrada, através do átrio, para o peristilo e jardim, somos atraídos para uma grande fonte de mármore com uma estátua de Príapo em harmonia com a figura da entrada. Fora da vista directa, situavam-se as zonas mais “exclusivas” e as áreas de serviço da casa.


A Casa de Pansa: esta casa situa-se no entroncamento da Via delle Terme com a Via Consolare. Esta foi chamada, devido a uma identificação errada, a Casa de Pansa, mas na verdade deve ter pertencido a Cnaio Aleio Nigido Maio, um membro de uma das famílias mais velhas da região e elemento activo no governo local da cidade nos anos 50 e 60, que andava à procura de inquilinos para as suas tabernae, cenacula e domus. No centro do bloco – a Insula Arriana Polliana – existe uma casa grande com um átrio, peristilo e como característica uma grande piscina em vez do jardim. Ao fundo do claustro, junto à cozinha encontrava-se o estábulo e a garagem para os carros.

A Casa dos Pintores a Trabalhar: a porta principal de entrada desta casa devia dar para uma rua situada a norte do outro lado da Via dell´Abbondanza, é a casa de Julius Políbius, casa construída no século II a.c.. O que existe até ao momento é a parte de trás da propriedade: um jardim com peristilo, as salas em seu redor, e uma pequena entrada que dá para a ruela lateral. Entre a parede do fundo do jardim e a Via dell´Abbondanza erguem-se uma loja e uma padaria comercial dos Amantes Castos. Nessa manhã de 24 de Agosto de 79, uma equipa de pintores, deveriam ter
chegado para continuarem o seu trabalho estando a decorrer obras importantes de decoração quando foram interrompidas por volta do meio-dia, deixando atrás de si todo o equipamento e as tintas, daí o nome por razões óbvias. Nesta casa foram encontradas doze vítimas da erupção, nas salas do peristilium.


Padaria dos Amantes Castos: esta padaria na Via dell´Abbondanza combinava a moagem e o fabrico do pão – e, talvez, outras funções de entretenimento. Era um edifício de dois andares, com uma varanda em parte fachada que dava para a rua. Na esquina do edifício ficava um dos muitos altares que se encontra nas ruas ou nos cruzamentos por toda a cidade. A porta que dá acesso para a rua principal dá acesso à padaria, a outra (perto do altar) dá acesso a uma loja de duas salas. Havia também uma entrada lateral que dava para um estábulo, partindo duma ruela perpendicular à Via dell´Abbondanza, entre este edifício e a grande Casa de Caio Júlio Políbio. Entrando-se na padaria pela porta principal, chegamos a um grande vestíbulo, donde sairia uma das escadarias de madeira de acesso ao piso superior. Do lado esquerdo, ficava a grande sala onde era preparada a massa e o forno principal, foram descobertos oitenta e um pães ainda fechados no forno, cozidos há mais de 2000 anos sendo redondos e divididos em oito secções. Na parte traseira desta sala principal situavam-se os moinhos da farinha, originalmente havia quatro. Esta padaria albergaria o padeiro, a sua família e os escravos, no rés-do-chão e no andar superior. Havia também um pequeno jardim interior mas a verdadeira surpresa é a enorme sala de jantar (triclinium) e ricamente decorada, com uma grande janela a dar para o jardim. Chegava-se a esta sala de jantar pelo estábulo ou passando pelo forno do pão e pelos moinhos da farinha. Quando não estava a fazer obras, o nosso padeiro produzia pão e completava os seus rendimentos com um negócio de serviço de refeições.

Lupanare (bordel): situa-se a cinco minutos a pé a leste do Fórum, Vicolo del Lupanare, por detrás dos Banhos Estabianos. Este bordel não tinha nada de luxos, era pequeno e acanhado, para além da casa de banho, não havia nada senão cinco minúsculos cubículos. Não é certo o local onde o dinheiro trocava de mãos nem qual o uso dado ao andar de cima, poderia provavelmente ser um apartamento separadamente arrendado, ou seria o alojamento do chulo e das meninas. Trata-se de um local escuro e lúgubre numa esquina com portas para ambas as ruas. Se a entrada principal fosse a atualmente utilizada, chegamos a um amplo corredor com três cubículos à direita e três à esquerda. No final do corredor, um biombo de alvenaria bloqueia a vista para o que está atrás. É aí que se encontra a latrina, para garantir que os clientes que entravam não viam outro cliente a usar a casa de banho. Os cubículos propriamente ditos são pequenos, com camas de alvenaria, as quais estariam cobertas com mantas e almofadas, ou pelo menos com algo um pouco mais macio do que a pedra. No piso superior existem cinco salas, ligadas por uma varanda que serve de corredor entre elas. Aqui não há camas fixas, nem pinturas eróticas, nem grafitos de qualquer tipo. Podia haver mais prostituição, podia ser o local onde as raparigas viviam mas também podia ser possível que não tivesse qualquer ligação ao bordel, sendo um apartamento separado para alugar. Assim sendo, é possível que as raparigas simplesmente trabalhassem, vivessem e dormissem nestes pequenos cubículos.





Poder Político


Basílica: é possível que os casos legais fossem resolvidos no grande edifício profusamente decorado no Fórum, como sendo sala de audiências, o magistrado dirigiria os procedimentos e faria o seu julgamento a partir da plataforma elevada na extremidade. As colunas criavam um espaço oportuno para os locais deixarem as suas mensagens, por intermédio de grafitos.




Teatro Coberto: foi construído nos primeiros anos da colónia, no ano 80 a.c.; “ Caio Quíncio Valgo, e Marco Pórcio, filho de Marco, por decisão dos conselheiros, adjudicaram o contrato para a construção do Teatro Coberto assim como aprovaram a obra”, albergava 2000 lugares sentados.

Edifício de Eumáquia: é o maior edifício da área do Fórum e foi erigido no reinado do imperador Augusto. A sua função é ainda muito controversa: mercado, mercado de escravos, área multifunção? Este edifício, conhecido como o Edifício de Eumáquia, também foi patrocinado por uma mulher. As inscrições sobre as duas entradas declaram que Eumáquia, que era sacerdotisa da cidade, filha de uma família proeminente e casada com um membro de outra, construiu-o “em seu próprio nome e do seu filho…à sua própria custa”. A sua estátua situava-se numa das extremidades do edifício, presentemente encontra-se ao fundo do mesmo, paga pelos pisoadores (trabalhadores têxteis). Desconhece-se tudo sobre Eumáquia, o mais provável é que estivesse a tentar dar um impulso à carreira do seu filho.



As divindades


Templo de Júpiter (Fórum)
Templo de Apollo (Fórum)
Templo de Ísis




Os banhos


Os banhos romanos estavam associados à cultura romana: para onde quer que os romanos fossem, os banhos iam com eles. Estes banhos não se limitavam a uma lavagem do corpo, embora o asseio fosse parte do objetivo. Tratava-se de uma mistura de diversas e diferentes atividades: libertar suor, exercício, sauna, natação, banhos de sol, jogos com bola, ser “raspado” e esfregado. Eram banhos turcos mais completos, incluindo extras opcionais como o barbeiro. Em Pompeia, os três principais banhos públicos juntos ocupavam uma área superior à do próprio Fórum, embora sejam minúsculos comparativamente com os da capital Roma, em que estes caberiam facilmente nos Banhos de Caracala. São usados diversos nomes em latim para as diferentes partes do ciclo de salas frias e quentes: frigidarium (sala fria), tepidarium (sala morna), caldarium (sala quente), laconicum (sala quente de transpiração), apodyterium (vestiário).


Banhos Estabianos: era um dos três principais complexos do centro da cidade, estava a ser reparado na altura da erupção, e somente a área das mulheres estava a trabalhar a 100 por cento. É possível que houvesse alguma pressão em termos de espaço para banhos em Pompeia em 79. Dos banhos públicos, apenas os Banhos do Fórum conseguiam corresponder à procura. Estava a ser construído um novo e moderno complexo (os Banhos Centrais) mas ainda não estava concluído. Um, por exemplo, tinha estado em ruínas durante muitos anos, e os chamados Banhos de Sarno nos andares inferiores de um bloco de apartamentos estava a ser restaurado. Os Banhos Estabianos eram os mais antigos da cidade. O primeiro edifício no local, os arqueólogos datam como sendo do século IV a.c., tem a forma de um páteo de exercício (palaestra) e uma fila de “banhos de assento” ao estilo grego. Mas os banhos como os vemos atualmente são resultado de uma grande requalificação de meados do século II, que decorreram até ao final da vida da cidade, incluindo o fornecimento de água diretamente do aqueduto substituindo o antigo poço. A entrada principal situava-se na Via dell´Abbondanza, a frente para a rua era composta por uma fila de lojas, mas ao passar pelo vestíbulo, entrava-se num páteo com uma colunata. Nos Banhos Estabianos, o calor é fornecido por uma única fornalha de lenha, a qual estava ligada ao sistema subterrâneo de aquecimento ou hipocaustyum. Trata-se do primeiro exemplo deste sistema que se conhece do mundo romano, e era uma maneira muito mais poderosa de aquecer as salas do que os primeiros sistemas de braseiros que ainda eram usados nos Banhos do Fórum. A disposição nos Banhos Estabianos permite que dois conjuntos de salas sejam aquecidos de ambos os lados do fogo: duas salas muito quentes, e as mais pequenas, e duas salas mornas, e as mais pequenas. Porquê dos dois conjuntos? O mais pequeno era para as mulheres. Elas não utilizavam a entrada principal mas sim uma porta lateral, que em vez de darem para o páteo aberto teriam de se deslocar por um corredor apertado até chegarem ao local onde deixariam as suas roupas e entrar para as salas de banhos mais pequenas. Era igualmente a disposição nos Banhos do Fórum, onde havia uma série de salas de banhos menos elaboradas para as mulheres. Nos Banhos Centrais, não estava planeada tal separação: ou as mulheres estavam excluídas, ou iriam usar as instalações em alturas diferentes, ou seriam banhos mistos.





Jogos e diversões


Teatro Grande: o Grande Teatro, construído no século II a.c., foi restaurado e ampliado por Marco Holcónio Rufo, segundo políticas do regime de Augusto, para que pudesse albergar 5000 pessoas sentadas, viveu durante o reinado do imperador Augusto, tendo sido o habitante mais poderoso de Pompeia e o que maior impacto provocou na cidade. Mas posteriormente, com Marco Holcónio Céler (irmão ou filho), financiou o projeto de melhoramento muito maior e mais caro do Grande Teatro. Existem inscrições que atestam que os Holcónio construíram “ à sua própria custa a galeria coberta, os camarotes e o auditório”. Adjacente a este edifício está o Teatro Coberto e a Palaestra, usada pelos gladiadores nos últimos anos da cidade e em cima o Fórum Triangular com o antigo Templo de Minerva e Hércules.




Anfiteatro: local onde decorriam a maioria dos espetáculos de gladiadores e das caçadas. Construído na extremidade da cidade, graças à generosidade de Caio Quíncio Valgo e Marco Pórcio na década de 70 a.c., os mesmos responsáveis pela supervisão da construção do Teatro Coberto, é o primeiro edifício de pedra permanente deste tipo no mundo romano. O Coliseu de Roma, que foi construído 150 anos mais tarde numa cidade com uma população total de cerca de um milhão, é apenas quase o dobro do tamanho: o Coliseu tinha cerca de 50.000 lugares, e o anfiteatro de Pompeia cerca de 20.000. A planta do edifício dá-nos uma boa ideia de como funcionava o Anfiteatro em 79 tal como enterrada. Os lugares em redor da arena estavam cuidadosamente separados. As filas da frente estavam reservadas à elite local, lugares espaçosos e boa visibilidade. As mulheres eram provavelmente relegadas para as últimas filas, no caso de se aplicarem as regras introduzidas pelo imperador Augusto. Os espectadores entravam no edifício por acessos diferentes em função do local onde se iriam sentar. Os que se iriam sentar na área principal subiam a escadaria no exterior do edifício, a qual conduzia a uma passagem no topo, depois desciam pela respetiva escadaria até ao seu lugar. O acesso aos lugares da elite fazia-se através de uma das entradas inferiores, as quais conduziam poe corredor interno que percorria o perímetro da arena, daqui os espetadores subiam uma escadaria que os levava às filas da frente.

O principal acesso cerimonial fazia-se pela entrada norte, decorada co estátuas. Os gladiadores e os animais também terão entrado e saído por aqui, ou pela extremidade oposta, a sul. Ao contrário do Coliseu de Roma, não havia caves ou passagens subterrâneas por baixo do chão da arena para os lutadores que esperavam para sair pelos alçapões quando chegasse a sua vez para entrar em cena. Os animais maiores estariam em jaulas no exterior, formando um pequeno zoológico, para divertimento e terror a quantos passavam. Quando Quíncio Valgo e Marco Pórcio construíram inicialmente o monumento, a estrutura era de alvenaria, mas os assentos eram todos de madeira mais tarde nas fases finais do Anfiteatro, os assentos eram na grande maioria todos feitos de pedra. 

O Anfiteatro não estava sozinho. Algumas das festividades relacionadas com espetáculos de gladiadores estendiam-se para a chamada Grande Palaestra logo ao lado – espaço aberto, com colunatas com uma piscina ao centro e avenidas de árvores.