quinta-feira, 12 de abril de 2018

ATENAS - BERÇO DA DEMOCRACIA

Atenas, cidade cosmopolita e capital do estado grego, fica na Ática, e Ática é a parte da Grécia que fica a sul de Stereá e banhada pelo golfo Sarónico. O nome advém de “Athena”, a deusa do conhecimento e da sabedoria. Aqui nasceu a democracia. Aqui foi criada a obra-prima da arquitectura – o Pártenon. Na consciência do todo o mundo civilizado Atenas é símbolo da liberdade, da arte e da democracia, as suas memórias nunca se apagam é ver a sua história reviver. No seu centro dominam duas colinas, a da Acrópole, com os monumentos da época de Péricles, e da Lycabeto com a sua pitoresca igrejinha de S. Jorge.

Atenas é hoje uma cidade, viva e frenética, moderna e romântica. Com as ruas e praças repletas de vida mas também com becos remotos, vizinhanças sossegadas e isoladas como a Plaka e Mets, nos restaurantes e tabernas podemos saborear a riquíssima gastronomia grega; nas casas de espectáculos nocturnos, nos pubs, clubes e bares a diversão é total e permanente até ao raiar do dia porque em Atenas a festa quase nunca acaba. O Pireu é o porto marítimo da Grécia desde a Antiguidade, hoje no mesmo lugar onde se encontrava a cidade antiga é o grande centro marítimo e financeiro não só da Grécia mas de todo o Mediterrâneo, diariamente partem ferrys que ligam a capital a todos os cantos da Grécia Insular e ao estrangeiro. O Pireu fica a sudoeste de Atenas, a quase 10 quilómetros do seu centro, a ligação faz-se através de autocarros e metropolitano, os seus portinhos naturais, Microlímano, Passalimani, Zea, Freatida e Hadjiquiriáquio são lugares animados e muito turísticos.

Saímos à meia-noite de Lisboa e aterrámos no aeroporto internacional “Eleftherios Venizelos”, em Atenas, pelas 6,30 horas da manhã atendendo à diferença horária, em voo directo, já no exterior do aeroporto existem duas opções para se chegar ao centro da cidade; autocarro X95 até à Praça Syntagma por 6,00€ com a duração da viagem em cerca de uma hora em função do tráfego rodoviário, ou o autocarro X96 ao porto do Pireu, ou ainda através da rede de Metro de Atenas, linha 3 (azul), com a ligação à linha 2 (vermelha) em Syntagma e linha 1 (verde) ao Pireu na estação de Monastiraki, custo do bilhete 9,00€ por pessoa. Para o efeito está disponível no aeroporto folheto informativo sobre a rede de transporte público do aeroporto ao centro da cidade e áreas suburbanas.

Apanhámos o metro para o centro da cidade rumo ao Economy Hotel localizado numa rua traseira da Câmara Municipal de Atenas, onde nos foi permitido deixar as malas de viagem em segurança até à possibilidade de efectuarmos o “check-in”, deste modo, a partir deste momento ficamos em condições para começarmos a fazer a primeira incursão pela cidade, é imprescindível precaver-nos com alguns artigos, o mapa da cidade, uma garrafa pequena de água facilmente pode ser adquirida nas máquinas dispersas um pouco por todo o lado e um par de sandálias ou sapatos confortáveis, evitando-se qualquer tipo de saltos altos. Em caso de calor extremo quando as temperaturas sobem acima de 39º, evitando-se casos de insolação e desidratação, por decisão do Ministério Helénico da Cultura e Desportos, os horários de abertura e fecho dos sítios arqueológicos sofrem ajustamentos, devemos por isso consultá-los previamente, por fim, o bilhete de ingresso aos locais arqueológicos só pode ser adquirido nas bilheteiras oficiais instaladas nos locais, de um modo geral, o preço do bilhete adquirido individualmente é mais dispendioso, mas existe uma modalidade bem mais económica, válida para cinco dias por 30,00€ com acesso aos seguintes locais:

Acrópole de Atenas e Encostas Sul e Norte
Ágora Romana de Atenas
Biblioteca de Adriano
Sítio Arqueológico de Kerameikos e Museu
Sítio Arqueológico de Lykeion
Ágora Antiga de Atenas e Museu
Templo de Zeus Olímpico

Na manhã do dia seguinte finalmente partimos à descoberta de Atenas em Monastiraki, área antiga e distinta, de ruas estreitas e irregulares, pequenos edifícios característicos dos tempos dos Otomanos em certa medida um planeamento urbano Bizantino. Nas bancas dos vendedores de rua ou nas pequenas lojas das ruas centrais, Adrianou, Pandrosou, Ifaistou, Thiseiou, Ayiou Filippou, Astigos e Ermou, podemos encontrar qualquer coisa como sapatos, roupas, móveis antigos e novos, livros, revistas antigas, lembranças, jóias, chapéus, discos de vinil, CDs novos e usados, instrumentos gregos tradicionais (bouzoukis, touberleki). A área compreendida entre as ruas Metropoleos, Athinas a Stadiou é o coração do antigo centro histórico e comercial, área pedonal bastante tranquila com mais de 2500 lojas de venda de grande variedade de produtos, numerosos cafés, modernos restaurantes e pequenos bares. Nesta praça histórica, a mesquita Tzistaraki, a Biblioteca de Adriano, a igreja bizantina de Pantanassa, e finalmente, de particular interesse também o edifício neoclássico e estação de metro completamente renovado.

A verdejante Ágora da Antiga Atenas é um bom local para se passear e ao mesmo tempo imaginarmos a agitação que outrora aqui reinou, está localizada no sopé da Acrópole, foi fundada no século VI a.C., era o coração da cidade durante 1200 anos e centro de toda a actividade cívica, política, comercial, religiosa, artística e filosófica, onde Sócrates se dirigiu ao seu público, a democracia nasceu e que S. Paulo pregou.

Theseion – Templo de Hephaistos, construído em 460-415 a.C., é o mais bem preservado templo clássico da Grécia dedicado a Hefesto e Atena, não a Teseu. O friso retrata os feitos de Teseu e Hércules.

Monumento aos Heróis de Epónimos, datado do século IV a.C., tinha estátuas de bronze de cada um dos dez heróis tribais da Ática.

Stoa de Átalos, construção de dois pisos, foi doada pelo rei Átalo II de Pérgamo (159-138 a.C.) à cidade de Atenas. Hoje é um museu que exibe os achados da Ágora.

Stoa Basileios, construída em 500 a.C., da rua Adrianou têm-se boas vistas para as ruínas.

Odeão de Agripa, construído por Agripa no ano 15 d.C., albergava 1000 espectadores e tinha um pórtico de dois andares. No ano 267 d.C. foi destruído, mais tarde, em 400 d.C., foi construído um Ginásio no seu local. A norte, das quatro grandes estátuas recuperadas do Odeão, restam três, um Gigantes e dois Tritões colocadas em pedestais.

Tholos, edifício circular, cuja tradução é “colmeia”, comité executivo composto por 50 membros do primeiro parlamento.

Nymphaion, ruínas de um fontanário do século II d.C., são ainda visíveis, apesar da construção de uma igreja bizantina sobre ele no século XI.

Saímos bem cedo pela manhã para rentabilizar bem o dia iniciando pela visita à sumptuosa Biblioteca de Adriano, assemelha-se a um luxuoso fórum, construído por Adriano no ano 132 d.C., no espaço existiam anfiteatros, salas de música e um teatro, não muito distante a Ágora Romana, um complexo arquitectónico construído entre o ano 19-11 a.C., consistia num campo largo rectangular com colunatas “stoas”, onde várias lojas estavam localizadas no interior e uma das entradas orientais para o mercado, o Propileu Oriental. Uma Torre Octogonal denominada por Torre dos Ventos, construção do séc. I a.C., pelo astrónomo sírio Andronikos Kyrrhestas, era um relógio hidráulico. Em cada face do relógio podem ser vistos baixos-relevos dos oito ventos no exterior, e no interior uma clepsidra movida pela corrente de água da Acrópole. Uma latrina pública com 68 lugares, denominada Vespasianae, construção do séc. I d.C., era edifício rectangular, com um pátio no meio, com bancos com buracos alinhados nos quatro lados e um canal de esgoto. A monumental entrada ocidental para o fórum com quatro colunas, a Porta de Archegetis e a Inscrição de Júlio César e Augusto, foi construída no ano 11 a.C. por estes imperadores e dedicada pelo povo de Atenas à deusa Athena. A inscrição está tão esbatida que só pode ser vista ao meio-dia, devemo-nos colocar no exterior do fórum e olhar para o topo da entrada. A Mesquita Fethiye, na ocupação otomana, em 1456, os turcos construíram esta mesquita sobre as ruínas de uma igreja paleocristã.

Após o almoço em Monastiraki num dos muitos restaurantes descemos a rua Adrianou a outro local fascinante a não perder Kerameikos, localizado a noroeste Atenas, bairro dos antigos oleiros, o nome vem de Keramos, deus patrono da cerâmica, segundo escritores antigos evoca um antiquíssimo grupo de olarias nas margens do rio Eridano que atravessa este local. O sítio arqueológico para além da muralha primitiva de Atenas contém vestígios de dois dos mais conhecidos arcos da antiga Atenas, o Dipylon e o Arco Sagrado, na vizinhança dos arcos o mais antigo e o maior cemitério da Ática, por túmulos (elevações circulares erigidas a heróis de guerra, estátuas de mármore a grandes estadistas), duas estradas importantes separadas (uma para um bordel, outra para um templo).

Muralhas da cidade que rodeava toda a cidade, construídas em 478 a.C. por Temístocles, e feitas à pressa pelos materiais que a incorporam, mármores de túmulos, templos e casas.

Dipylon, era maior porta da entrada principal de Atenas e da Grécia Antiga, as estradas de Tebas, Corinto e do Peloponeso davam a esta porta.

Pompeion, era usado na preparação de procissões festivas e religiosas, em particular a procissão panatenaica anual.

Porta Sagrada, a Via-Sacra, reservada a peregrinos e sacerdotisas durante a procissão até Elêusis passava por esta bem preservada porta

Túmulos dos Guerreiros, as altas e redondas elevações tumulares ao longo da Via-Sacra datam do século VII a.C., homenageavam heróis guerreiros.

Touro de Mármore do túmulo de Dionísio de Kollytos

Túmulo de Dexileos de marfim é de um jovem cavaleiro que morreu em 394 a.C.

A Estela de Hegeso, estela funerária onde a falecida está sentada a tirar uma bugiganga de uma caixa, o original está no Museu

Santuário dos Tritopatores, não se sabe quem eram, mas poderiam ser representações das almas dos mortos e adorados

Museu Oberlander

Templo de Zeus Olímpico


em breve…


Tour 1 - Delfos 

Apenas a duas horas de Atenas, Delfos é um destino turístico favorito por excelência, declarado Património Mundial pela UNESCO, sem dúvida o mais belo local da época clássica.

E, como ir de Atenas a Delfos? Por autocarro através da KTEL, a viagem tem a duração de cerca 2horas 50 minutos e tem o custo de 25,00€ por pessoa, o bilhete de entrada no sítio arqueológico e museu é 12,00€ por pessoa, em alternativa, a mais recomendada é através de autocarro por agência com guia no idioma preferido, solicitando-se nas recepções dos hotéis pois estes têm um intercâmbio entre eles, o preço inclui a viagem, entrada no sítio arqueológico e museu, sendo de 90,00€ por pessoa sem almoço e de 105,00€ por pessoa com almoço, a recolha e a largada dos passageiros é feita nos diferentes hotéis, a saída está prevista pelas 8 horas.

Aqui, o lendário Oráculo expressava as suas profecias, contando a Édipo, entre outros, o seu terrível destino. Os arredores de Delfos estão cheios de beleza e oportunidades para nadar, caminhar e esquiar, onde a Mitologia e História se encontram numa paisagem deslumbrante que deixa qualquer visitante sem fôlego, uma grande rede hoteleira, restaurantes e lojas modernas, localizada entre a montanha e mar, constitui a base ideal para a descoberta do verdadeiro coração da Grécia.

Na Antiguidade, Delfos foi o mais importante oráculo Pan-Helénico e um dos locais mais sagrados do mundo, aqui, reis, políticos e generais reuniam-se para um oráculo favorável do deus Apollo. O seu primeiro assentamento remonta ao período Micênico (séc. XIV-XII a.C.) mas o Santuário atingiu o seu auge por volta do século IV a.C./séc. IV d.C. com os Jogos Pythianos constituindo seu ponto de referência. Os monumentos mais importantes do sítio arqueológico são os seguintes:

Via Sacra esta estrada reconstitui a rota que Apollo seguiu até Delfos e termina no templo a ele dedicado, desde a entrada do recinto até ao Templo de Apollo

Templo de Apollo (séc. IV a.C.), dentro do qual foi o santuário, sede do Oráculo de Delphi

Tesouro dos Atenienses (finais do séc. VI a. C., início séc. V a.C.), abrigava as ofertas para Apollo

Bouleuterion (ano 600-500 a.C.), ao lado do Tesouro dos Atenienses

Tesouro dos Sífinios, estrutura de mármore semelhante a um templo. As estátuas estão no Museu

Anfiteatro (séc. IV a.C.) com capacidade para 5.000 lugares

A Cúpula, edifício circular (ano 380 a.C.)

Estádio (séc.V a.C.),renovado por Herodes Atticus (séc.II d.C.)

Fonte Castaliana

Museu Arqueológico de Delfos


Ficha Técnica

Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
183,0 kms
Meio de transporte
AUTOCARRO 
Duração recomendada
2 dias

Tour 2 - Sítio Arqueológico de Sounio

Como ir de Atenas para Cabo Sounio, a opção mais económica é de autocarro através da empresa KTEL Fokidas com saída no final da Alexandras Avenue, Areos Park, a viagem dura cerca de 90 minutos, pela estrada costeira, o bilhete adquire-se no interior do autocarro e o preço é de 6,90€, e o cuidado a ter é ao horário do último autocarro para regresso a Atenas, para o efeito deve-se consultar o horário disponibilizado e fornecido pela empresa que se encontra afixado na paragem:

Atenas-Sounio - 7h, 8h,10h, 11h, 13, 14h, 15,30h e 17h
Sounio-Atenas – 8h, 10h, 11h, 13h, 14h, 16h, 17h, 19h, e 20h

A viagem termina muito perto do sítio arqueológico e o ingresso é de 8,00€. O local dispõe ainda de esplanada-restaurante para que o visitante possa retemperar energias e apreciar o nostálgico local para mais tarde o regresso a Atenas ou continuar viagem a Lavrion.

A península de Sounio era habitada desde a Pré-história, e parece haver alguma forma de culto desde o período Micênico, já que Homero é o primeiro a descrever Sounion como “sagrado”, relata que na viagem de volta de Tróia, Menelaus aqui enterrou seu timoneiro Phrontis.

A construção do Templo de Poseidon e do Propileu são do início do século V a.C., destruído durante a invasão persa, antes que pudesse ser concluído. Entretanto, outro templo dórico em mármore com 6x13 colunas foi erigido no mesmo local. As figuras que compunham o friso acima da “cella” e partes deste, presentemente, estão no Museu de Lavrion.

Em 412 a.C., na guerra do Peloponeso, os Atenienses reforçaram a fortaleza que ocupava uma posição estratégica, de onde a cidade-estado de Atenas controlava passagem do Mediterrâneo para o mar Egeu e Pireu, seu porto central, bem como a península de Lavrion, e as ricas minas de prata. Por diversas vezes perdido para os Macedónios foi finalmente reconquistado pelos Atenienses, no ano 229 a.C..

O santuário de Athena encontra-se numa colina a cerca de 400 metros ao norte do promontório. Dois templos a Athena são preservados dentro do recinto poligonal, um menor e mais antigo, do ano 600-550 a.C., consiste de uma cela retangular com duas colunas Dóricas na frontaria, nas traseiras da “cella”, a base da estátua de culto de Athena, e um pequeno altar na frente do templo. Mais tarde, foi destruído pelos persas, e um templo novo e maior foi construído, semelhante ao anterior, mas com duas colunatas Iônicas adicionadas a leste e sul. Um recinto circular irregular perto dos templos está identificado com sendo o santuário de Phrontis, mencionado em Homero.

Ficha Técnica

Época recomendada
TODO O ANO
Distância percorrida
59,6 kms
Meio de transporte
AUTOCARRO 
Duração recomendada
1 dia



domingo, 12 de novembro de 2017

ESCAPADELAS DE FINS-DE-SEMANA - II

Na Estremadura Espanhola 

Terminadas as férias aproveitam-se todos os fins-de-semana para umas escapadelas e fugir à rotina do dia-a-dia, esta é uma boa opção para fazer turismo para conhecer os principais aspectos da cultura, a história e o património histórico e artístico de cada uma das zonas e populações da Comunidade Autónoma da Estremadura. Venham daí comigo!

Rota II

Meu ponto de partida é cidade de Castelo Branco em direcção à fronteira com Espanha em Segura. Em Piedras Albas, tomaremos a estrada a Zarza la Mayor, povoação com uma igreja do século XVI, de San Andrés.



De regresso à estrada continuemos à cidade de CoriaOriginariamente, a zona ora ocupada actualmente pela cidade e os seus arredores estiveram desde o Paleolítico ocupadas por assentamentos nas margens do rio Alagón, circunstância esta que se irá repetir em épocas posteriores, em zonas mais altas próximas à actual catedral, conhecendo-se este primitivo núcleo com o nome de Caura. A primitiva Caura será conhecida na época romana como Cauria, cidade estipendiária que florescerá durante os primeiros séculos da nossa era, erguendo-se a muralha nos séculos III e IV d.C., protegendo a população de Coria de possíveis ataques e invasões de outros povos que terminarão por conquistá-la, caso dos Visigodos e Árabes, séculos mais tarde, Afonso VII conquistá-la-á em 1142 e Afonso IX conceder-lhe-á em 1210 o Foral de Coria. A sua situação quase fronteiriça com Portugal traz-lhe mais de que um confronto bélico com os portugueses saindo-se sempre vitoriosa, contrariamente aos efeitos da invasão francesa, no início do século XIX.

Em Coria, destaco o centro histórico antigo amuralhado e a Catedral, uma construção do século XV, de estilo gótico-renascentista, sobressai também seu Castelo, com uma formosa Torre de Menagem do século XV, complementarão palácios e edifícios religiosos.  

Catedral da Assunção de Cória, construção entre os finais do século XV/XVI, apresentando alguns elementos góticos



Castelo
Sobre uma anterior construção defensiva, provavelmente realizada pelos Templários, ergue-se nos finais do século XV este castelo mandado edificar pelos Duques de Alba (actualmente é privado)


Muralha e as suas Portas
Levantada entre os séculos III e IV d.C., muitas transformações e modificações sofreu esta primitiva muralha romana e medieval vai recebendo através dos séculos. Das quatro portas, a que tem o nome de Porta da Guia, foi desde o século XVI conhecida igualmente entre outros nomes como a Porta da Cidade, das Quatro Ruas, da Estrela, sendo a que menos modificação sofreu desde a sua construção da época romana. A porta de S. Francisco a data da sua abertura ronda a primeira metade do século XVI. A Porta do Sol, originalmente romana, é também conhecida como de S. Pedro. Do lado oeste ergue-se a Porta Nueva também de origem romana, também conhecida como Porta de Cármen


Porta da Guia (origem romana)

Porta da Guia (origem romana)

Porta de S. Francisco (séc. XVI)
Ponte Antiga
Provavelmente de origem romana, está documentada a sua construção no ano 1518


Cadeia Real (Museu)
Edifício construído nos finais do século XVII sobre outra antiga construção que também fora outrora cárcere



Convento da Madre Deus
Provavelmente as suas origens remontam ao século XIII como demonstra o antigo claustro desta época, mas será nos princípios do século XVI que se ergue o claustro actual

Palácio dos Duques de Alba
Originário do século XV, provavelmente, a sua construção foi simultâneo com a do castelo

Praça Maior


No dia seguinte, nosso ponto de saída é Coria, para nos dirigirmos à Serra da Gata parando previamente em Moraleja, a poucos quilómetros a povoação de Hoyos, residência de Verão dos Bispos de Coria, povoação com casas senhoriais que nos falam de um passado senhorial. A Igreja de Nossa Senhora del Buen Varón é do século XVI. Continuando de Hoyos para ocidente desta Serra, encontrámos a localidade de Trevejo, Conjunto Histórico de Interesse Cultural, passando antes por Villamiel, povoação serrana com casas típicas serranas e ruas estreitas. A três quilómetros, Trevejo destaca-se com o seu Castelo, a visita é obrigatória, vistas e arquitectura popular, não é por acaso que foi declarado conjunto de interesse artístico. Voltaremos a tomar a estrada a San Martin de Trevejo, Conjunto Histórico de Interesse Cultural, de origem pré-romano como demonstram as muitas estelas aqui encontradas. Continuámos a Eljas, escondida em plena natureza e completamente rodeada pelo bosque, tem um Castelo do século XV pese embora estar muito deteriorado. A rota fica concluída com a visita à nossa última povoação em Valverde del Fresno, de realçar a Praça Mayor e Igreja Nossa Senhora da Assunção, do século XVI. De Valverde, nos levará à fronteira em Penamacor para acabar em Castelo Branco.  

em breve fotos destes locais

Ficha Técnica
Época recomendada
TODO O ANO
Distância a percorrer da fronteira (Segura)
272,3 kms.
Duração recomendada
2 dias


terça-feira, 24 de outubro de 2017

DUBLIN

Proponho a visita a Dublin City uma das cidades mais antigas da Europa, ao visitar a capital da Irlanda é visitar um lugar rico em história e cultura, é a mistura perfeita de cultura e diversão.

Dublin desde os seus humildes começos começou como porto comercial dos Vikings a cidade medieval fortificada e depois, em séculos gloriosos de expansão, surge-nos em elegante metrópole georgiana com amplas e modernas ruas, praças graciosas e excelentes habitações, perfeitamente limitadas por dois canais. A cidade de Dublin é da Guinness, dos festivais de rua, da música ao vivo, ao mesmo tempo, a cidade da literatura, de Kells, da terra natal de James Joyce, dos prémios Nobel William Butler Yeats, George Bernard Shaw e Samuel Beckett, cidade declarada pela UNESCO como a Cidade da Literatura, Dublin é verdadeiramente inspiradora de uma tradição literária de mais de mil anos. O clima irlandês muda constantemente ao longo do dia é normal existirem as quatro estações no mesmo dia, as correntes quentes do Golfo e os ventos dominantes de oeste do Atlântico são garantia de invernos suaves e verões, por isso, devemos estar precavidos do indispensável vestuário, independentemente da altura do ano da visita. 

Esta capital cosmopolita não deixa ninguém indiferente a quem a visita, uma vez que tenha um gosto por Dublin, perceberemos que tem uma personalidade que não encontraremos em nenhum outro lugar.

Finalmente em Dublin, procurei evitar as opções turísticas ou táxis para chegar ao centro da cidade, optando sempre que possível pelas opções mais baratas, neste caso, decidi ir de autocarro da rede Dublin Bus, autocarros públicos que inclui a recente Nitelink e Airlink 747 Express, que circula entre os terminais 1 e 2 do aeroporto com intervalos de 10 minutos ao centro da cidade, por 6,00€/viagem e 10,00€ ida e volta. Os bilhetes são adquiridos no terminal 1 das chegadas do aeroporto no balcão de Informações e no terminal 2 no balcão I.C.E.. Na rede pública de autocarros de Dublin, alerto para o facto de que deveremos ter a quantia correcta quando entrarmos no autocarro porque o motorista não aceita notas de “euro” ou troco, para mais detalhes consultar a website www.dublinbus.ieem alternativa teria a empresa Aircoah com um serviço em autocarros de luxo que partem em frente às portas dos terminais 1 e 2 do aeroporto, numa frequência de 15 minutos, ao centro da cidade, Donnybrook Road e Leopardstown. Os bilhetes de transporte são adquiridos no balcão de atendimento ao cliente da empresa no aeroporto, ou ao motorista no interior do autocarro, para mais informações consultar website www.aircoach.ie.

Vem escrever a tua própria história de Dublin!




A minha selecção de locais imperdíveis que merecem uma atenção em Dublin City

An Post Museum (General Post Office)


Christ Church Cathedral (a mais antiga Catedral de Dublin, do séc. XI)


Croke Park Stadium



Dublin Castle (séc. XIII)


Record Tower (séc. XIII)



Dublinia



Dublin Writers Museum


Guinness Storehouse



Jeanie Johnston Tall Ship 



National Library e National Museum of Ireland Archaeology



Old Jameson Distillery


Old City, Temple Bar


St. Patrick´s Cathedral (séc. XII) 


Trinity College (a mais antiga Universidade do País, fundada em 1592 pela rainha Elisabete I)



Garden of Remembrance


Leinster House – Parlamento (construído em 1745)


The O´Connell Monument e a Spire of Dublin



The Ambassador Theatre e Arts Theatre - Wall of Fame



The Church – antiga Igreja agora transformada em Bar


Fitzwilliam Street (em tempos a mais longa rua Georgiana da Europa)
City Hall - Câmara Municipal (construído em 1769)
St Audoen´s Church (séc. XII)


Custom House (Câmara dos Representantes)


Four Courts


St. Stephen´s Green – Dublin Fusiliers Arch e Shopping Center



Aqui ficam as minhas dicas mas se porventura tiveres mais dias para usufruir em Dublin e arredores, há muito para ver e fazer durante todos esses dias e cria a tua própria estadia!

sábado, 25 de janeiro de 2014

CHIPRE - A ILHA D´AFRODITE

A ilha de Chipre no Mediterrâneo é conhecida por diversos motivos, primeiro de tudo, é um lugar extremamente popular para passar umas excelentes férias, e igualmente reputada devido ao seu magnífico clima ameno e ensolarado, pelos seus habitantes bastante hospitaleiros, pela segurança e pela sua gastronomia.

No entanto, algumas pessoas podem não saber que a ilha de Chipre está dividida a seguir à invasão turca em 1974, ocupando 36,2% do seu território soberano a norte da ilha, que exigiu a presença das Nações Unidas durante 25 anos. Ainda que a sua parte esteja sob ocupação estrangeira, a República de Chipre é intencionalmente reconhecida como o único Estado legítimo na ilha, sendo soberana sobre todo o território. Qualquer um de nós que visita a região livre de Chipre não se dará conta da situação, salvo se se aproximar da Linha Verde em Nicósia, capital de Chipre, ou se falar com os cipriotas que perderam seus parentes ou amigos durante a invasão de 1974.

O Sul da ilha de Afrodite possui uma rica herança cultural que se reflecte visitando as cidades e vilas, os sítios e monumentos arqueológicos, castelos e fortificações dispersos um pouco por toda o lado, lindíssimas baías com magníficas praias na mistura. Explorar a ilha da deusa Afrodite, como descreveu Eurípides há quase dois mil e quinhentos anos atrás, mesmo que entretanto muitas coisas mudaram desde então, o carácter mágico de Chipre prevalecerá para sempre nas nossas memórias fazendo desta uma estadia enriquecedora.


Existem dois aeroportos internacionais em Chipre, o de Lanarka e o de Pafos. Muitos turistas acham mais conveniente ou mais rentável voar do seu aeroporto local para o aeroporto de Larnaka, ao invés de Pafos, mesmo quando a sua estadia é em Pafos.
Reconhecendo esta realidade, as empresas de autocarros regionais lançaram um serviço diário entre estes dois aeroportos, Pafos a Limassol e Larnaca a Limassol, em duas etapas a 7,00 €/viagem cada, e dois serviços adicionais low-cost; o primeiro, entre Pafos-Limassol-Nicósia, excepto aos domingos, para mais informações e consulta de horários pelos telefones (+357) 26942069 ou 26931755, o segundo, do centro de camionagem em Pafos Centro (Kitma) para Polis, no litoral norte do distrito de Pafos ao pitoresco porto de Latchi e aos banhos da Afrodite, o serviço é diário, excepto aos domingos, enquanto, o serviço para Latchi é de segunda-feira a sexta-feira, para mais informações e consulta dos horários das carreiras será através dos telefones (+357) 26321114/5.

Para aqueles que escolhem ficar no lado leste da ilha frequentemente voam para o aeroporto de Pafos, ao invés de Larnaca, e para estes há uma carreira diária sempre ajustada aos voos de partida e chegada dos aviões podendo ser sempre alterada, seguindo a principal estrada costeira entre Coral Bay, Túmulos dos Reis, Kato Pafos, Marina a Geroskipou terminando no aeroporto de Pafos, num trajecto de 60 minutos, por 3,00 €.

Chipre dispõe de uma óptima rede de hotéis de excelentes comodidades nas mais importantes zonas balneares para todos os gostos e bolsas, a minha escolha recaiu no Roman Boutique Hotel, Tombs of the Kings Ave., situado a 1km do porto de Kato Pafos, a 5 minutos da praia, Paphos´ Blue Flag Faros Beach, muito próximo de bares e restaurantes e da paragem de autocarros para Coral Bay, é pois uma excelente opção para os que estão interessados em visitar portos, história e ver monumentos antigos, a minha estadia foram nove dias, 640,00€ e pequeno-almoço incluído, os quartos estão decorados com cenas da mitologia grega.

Pafos

Todo o conjunto da cidade de Pafos está incluído na lista oficial da UNESCO como Património Cultural da Humanidade.

Em Pafos cada um de nós faz parte da sua gloriosa história que remonta a milhares de anos atrás quando Afrodite, deusa do Amor e da Beleza, é suposto ter emergido do mar, tornando o local, a cerca de 25 km de Pafos, principal Santuário na Antiguidade. Hoje Pafos é um pequeno porto mas durante os períodos Helénico e Romano foi a capital de Chipre, desde séc.IV a.C. até ao séc.IV d.C., dos Ptolomeus e dos Romanos, e local da passagem de S. Paulo em 45 d.C..

Ao contrário de outras cidades cipriotas, Pafos teve duas áreas geográficas distintas que se desenvolveram nos diferentes períodos históricos. Nea Pafos e Pafos Town Centre (Ktima), respectivamente, Kato/Pafos de Baixo e Pano/Pafos de Cima. O nome Ktima está associado à época Medieval, sugerindo um domínio real ou uma terra pertencendo a um Cavaleiro.

Por parte dos cipriotas nota-se que fazem um enorme esforço em atrair os turistas à cidade de Pafos Town Centre (Ktima), indevidamente considerada como se apenas se tratasse de uma área comercial ou ao cotidiano da população, contudo, para os cipriotas tem muito mais do que isso. O passeio a pé por Pafos Town Centre (Ktima) dá a quem o visita uma imagem geral de como a cidade evoluiu e se desenvolveu a partir de tempos tardios Bizantinos e Medievais, com referência históricas ligadas a outros importantes períodos Otomano, Britânico e Contemporâneo, por um lado, entrar no passado mas também conhecer melhor o centro comercial de Pafos.

Pafos Town Centre (Ktima) – alguns locais a não perder
Edifício dos Banhos Turcos
Mercado Municipal e “Laiki Gonia” (quarteirão pedonal)
Moutallos
Mesquita “Agia Sofia”
“Palaea Elektriki” Cultural Centre
Câmara Municipal
Fonte “Sleeping Eros”
Museu Bizantino
Parque Elias e Avgousta Malioti
Avenida Arcebispo Makarios


Kato Pafos (porto maritimo e marina)
Forte Medieval de Pafos (séc. XIII)
Igreja “Agia Solomoni” e catacumbas cristãs de “Agia Solomoni”


Ódeon de Pafos (séc. II), a seu lado as ruínas da antiga cidade, Templo de Asklepios, deus da 
Medicina e Agora romana (fórum)


“Limeniotissa” ruínas duma Basílica do início da era cristã (séc. V)
Basílica Paleocristã (séc. XIII) – Coluna de S. Paulo – Chrysopolitissa (Agia Kyriaki)



“Loutra” – os Banhos Turcos
Sítio Arqueológico de Kato Pafos (bilhete de ingresso 3,42€)



Mosaico (Casa de Dionísio)
Mosaico (Casa de Dionísio)

Fortaleza Santa Kolones



Sítio Arqueológico dos Túmulos dos Reis (bilhete de ingresso 1,71€)





Tour 1 – Coral Bay 
Coral Bay encontra-se servido por duas carreiras de autocarros, cómodos e espaçosos, ambas com horários alargados diurnos e nocturnos, ao Mercado em Pafos Town Centre, e outra a Kato Pafos, por 1,50€ a viagem. 

Coral Bay, zona muito procurada turisticamente, ruas repletas de lojas, restaurantes e animação nocturna, fabulosa praia e baía e possibilidade única de presenciar o magnífico pôr-do-sol.



Sítio Arqueológico St. George´s em Agios Georgios, as ruínas de duas basílicas paleocristãs e túmulos de pedra do período romano
Sítio Arqueológico de Maaprimeiros assentamentos gregos (Micénicos) e Museu (a 9km de Pafos)



Tour 2 – Lemesos e Kourion

Lemesos (Limassol) é a segunda maior cidade da ilha e o principal porto comercial da ilha, centro da indústria vinícola e pólo turístico por excelência, estende-se entre os sítios arqueológicos de duas antigas cidades-estado: Amathous, a este, e Kourion, a oeste. A cidade desenvolveu-se a partir de 1191, depois da destruição de Amathous por Ricardo Coração de Leão, actualmente os numerosos monumentos Bizantinos e Francos são os testemunhos da sua longa história. 

Limassol situa-se a 71 km de Pafos e está servida por uma carreira expresso de autocarro entre Pafos e Nicósia, para quem optar por este meio de transporte para realizar o Tour, o autocarro sai de Pafos Town Centre, rua Boumpoulinas, e o bilhete é de 10,00€. A deslocação ao sítio arqueológico Kourion será através de outro autocarro saindo junto ao Castelo de Limassol, o preço da viagem é de 5,00€, e o ingresso ao sítio arqueológico é de 1,71€.


Limassol – alguns locais a não perder
Castelo de Lemesos e Museu (séc. XIII)


Mesquita Kebir (a grande mesquita) (séc. XVI)
Museu Arqueológico Regional de Lemesos
O Parque das Esculturas (Passeio Marítimo)
Sítio Arqueológico Kourion (a 19km a oeste de Lemesos)




Kourion Stadium



Tour 3 – Polis e Latchi

A cidade de Polis dista 48 km de Pafos, situando-se precisamente no local onde em tempos se encontrava a cidade-estado de Marion, um importante centro comercial na época Clássica e Helénica, posteriormente, no período greco-romano foi rebaptizada por Arsione. 

Para este Tour se a opção tomada for o transporte público, o autocarro sairá da rua Boumpoulinas em Pafos Town Centre, com poucos lugares postos à disposição e horários reduzidos, devendo-se por conseguinte consultar previamente os horários de ambas as carreiras, o preço da viagem é 3,25€, o mesmo sucederá com o transporte ao local dos “Banhos de Aphrodite”, numa carrinha de 9 lugares, por 3,00€.



Polis – locais a não perder
“Os Banhos D´Afrodite” – Akamas, pequena piscina natural numa gruta, e segundo a lenda era o local onde a deusa tomava banho


Museu Arqueológico de Polis – Marion/Arsione
Latchi, porto marítimo e marina



Chrysochou Bay (Akamas)



Oportunamente noutro espaço serão apresentadas as cidades de Lanarka e Nicósia que por força de limitação de tempo disponível não foi possível abranger.

Lanarka 

Tour 1 - Choirokoitia (Património Cultural da UNESCO

Nicósia

Tour 1 - Rota Bizantina (Património Cultural da UNESCO

Tour 2 - Rota Cultural de Afrodite 


Até breve Chipre em Lanarka!