sábado, 25 de junho de 2011

ESCAPADELAS DE FINS-DE-SEMANA - I

Na Estremadura Espanhola 

Terminadas as férias aproveitam-se todos os fins-de-semana para umas escapadelas fugindo-se à rotina do dia-a-dia sendo esta uma boa opção no novo conceito que dá pelo nome de “city short breaks”, para conhecer os principais aspectos da cultura, a história e património artístico-histórico de cada uma das cidades e populações da Comunidade Autónoma da Estremadura. Venham daí comigo!

Rota I 

Meu ponto de partida é cidade de Castelo Branco em direcção à fronteira com Espanha em Segura. Em Piedras Albas, tomámos a estrada nacional a Zarza la Mayor rumo à cidade de Plasência, Conjunto Histórico de Interesse Cultural, de fundação medieval do século XII, ano em que Afonso VIII a fundou, no ano 1186, em plena zona de fronteira bélica entre as tropas cristãs e muçulmanas, muito embora este núcleo defensivo e terras ao redor fossem já habitados desde Pré-História à Idade Média. Uma formosa cidade para acabar ou iniciar qualquer rota por terras da Alta Estremadura.

A cidade possuiu um impressionante património-cultural-artístico-histórico que conservou durante séculos até aos nossos dias, a Catedral, a Velha e a Nova, dos séculos XII e XIV, a parte mais antiga de estilo românico e gótica, a partir do século XIV, a Nova, no interior das suas muralhas em estado perfeito de conservação as ruas ainda fruto do traçado medieval guardam palácios, igrejas e conventos, obviamente, o imprescindível Avô Maiorca na Torre do Ayuntamiento. Na primeira terça-feira de Agosto celebra-se, a Terça-Feira Mayor, declarada Festa de Interesse Turístico Regional, o resultado final é de que a sua visita é obrigatória, seguramente satisfatória para quem se proponha, mais tarde, tranquilamente recordá-la.


Catedral Velha (séc. XIII) e Museu
O destaque vai para a cúpula, de estilo de transição do românico e o ogival, sem esquecer a influência bizantina, o claustro rectangular de inspiração Cisterciense e a capela de S. Paulo, antiga Sala do Capítulo, de estilo românico-gótico com influências bizantinas e orientais, nesta capela a escultura da Virgem do Perdão e sobre esta capela a popular “Torre de Melão”.


Catedral Nova e Portada Siloé
Obra iniciada em finais do séc. XV e finalizada em finais do séc. XVI, no exterior três portais renascentistas de estilo plateresco e um românico, no interior três naves, um cruzeiro abobado em nervura, e o surpreendente Retábulo Maior, do séc. XVII, e em lugar especial a imagem em madeira do séc. XIII, da Virgem do Tabernáculo, a portada de influência florentina da entrada da Sacristia, o sepulcro do bispo Pedro Ponce de Léon, amigo e conselheiro do rei Filipe II, junto ao Altar Maior, o Altar das Relíquias do séc. XVIII e a nave da Epístola, o Coro com cenas do Antigo e Novo testamento e figuras animais, que originalmente pertencia à antiga Catedral e transferida para o seu espaço actual em 1567.


Muralhas e Portas
As muralhas datam da fundação da cidade, finais do séc. XII e início do séc. XIII, e das 71 torres que chegou a ter conservam-se hoje em dia 27 portas com destaque para a Porta do Sol, Porta de Trujillo, Porta de Berrozana e Porta Coria


Porta do Sol
Reformada nos finais do séc. XV, a mais conhecida de toda a cidade, tem no topo a imagem da Virgem da Paz e o escudo dos Reis Católicos.

Porta de Trujillo
Nela se situa a Ermida da Saúde, ainda conserva da porta velha sua abóboda de canhão o escudo dos Reis Católicos, mais conhecida popularmente como o “Canhão da Saúde”.


Porta de Berrozana, restaurada nos finais do séc. XVI, sobre a qual se situa a estátua de S. Miguel e um escudo dos Reis Católicos.

Aqueduto de S. Antón (séc. XVI)

Casa-Palácio dos Monroy ou das Duas Torres, o mais antigo palácio de Plasência com fachada românica, construção do séc. XIII, e alojamento entre outras personagens, o rei Fernando o Católico e São Pedro de Alcántara.

Palácio de Carvajal-Girón (séc. XVI) – na Praça Ansano e rua Zapateria

Palácio dos Condes de Torrejón e Doutor Trujillo, anexo à Casa de Deán (actualmente Palácio da Justiça)

Casa de Deán (séc. XVII)
Palácio dos Marqueses de Mirabel (séc. XV) 


Palácio Episcopal

Igreja de S. Nicolau (séc. XIII)

A Praça Maior e o Palácio Municipal 
Palácio, construído no séc. XVI em estilo de transição entre o gótico e o renascentista com dupla arcada, à esquerda o escudo de Carlos V. No campanário o “Avô Mayorga” que dá as horas aos Plasiences. Nesta praça cercada por galerias, semanalmente, a cidade e a comarca celebram um original e interessante mercado, que nos faz regressar a tempos medievais.


No dia seguinte, ascendemos pelo Vale de Ambroz, utilizando para isso a estrada nacional cujo traçado é coincidente com a célebre Via de la Plata. Antes de chegarmos a Baños de Montemayor visitaremos a cidade romana de Caparra em Guijo de Granadilla, de seguida Aldeanueva del Camino, com uma interessante ponte romana sobre o rio Ambroz, uma povoação famosa devido ao artesanato e de artigos em cestaria, e finalmente, Baños de Montemayor, estação termal de origem romana, hoje vanguarda em tratamentos termais. Desta povoação termal dirigimo-nos a Hervás, sendo obrigatória a visita ao famoso Bairro Judeu, a Igreja de Santa Maria ou Santa Maria da Assunção das Águas Vivas, dos séculos XIV e XVI. Retornámos a Plasência e regresso a Portugal para terminar a rota em Castelo Branco.


em breve fotos destes locais 


Centro Interpretativo da Cidade Romana de Caparra
Segundas-feiras: encerrado
Domingos à tarde: encerrado
Aberto às Terças-feiras a Domingos e Festivos
Manhãs: das 10,00h às 14,00h
Tardes: das 16,00h às 19,00h (horário de Inverno a partir de 1 de Outubro)

Tardes: das 17,00h às 20,00h (horário de Verão)

Ficha Técnica

Época recomendada
PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO
Distância a percorrer da fronteira (Segura)
390,4 kms.
Duração recomendada
2 dias